…sem saber se sigo para norte se deixe o sul.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
quarta-feira, 13 de novembro de 2013
O sentido da vida
Por uma razão ou por outra, a morte, o tema da morte, tem andado a rondar a minha cabeça. Os anos que passam, familiares de amigos que partem mais cedo, notícias de jornais com a morte de um actor aos 40,
– faltam-me dois, e estas coisas começam a dar que pensar
vitima de cancro, amigos, na força da vida, a cair no hospital porque a máquina começa a falhar. Etc. Etc. Etc.
Dizia Epicuro, na sua "Carta sobre a felicidade", que: "o mais terrível dos males, a morte, nada tem a ver connosco: quando somos a morte não é, e quando a morte é somos nós que já não existimos". A mim também não me preocupa a morte. Inquieta-me, antes, desconhecer o caminho que me está reservado para lá chegar. Que enfermidades me esperam. Eu que digo esperar não ter o azar de chegar a velho; chegarei a velho, muito velho, anos a fio a arrastar-me sem saúde, dignidade ou reforma, em filas madrugadoras de centros de saúde de gente triste, pobre, a precisar mais de quem cuide do que de quem cure, ou, Deus, os deuses ou o destino, terão outra coisa em mente. A resposta deve dá-la a vida à medida que vamos caminhando por ela. Talvez esta inquietação que me tem rondado por estes dias e que me fez voltar aqui, não existisse, se outra pergunta nos fosse cabalmente, por Deus, pelos Deuses, pelo Destino, respondida. Qual o sentido disto tudo.
domingo, 12 de maio de 2013
A viagem foi rápida, demasiado rápida. Tão rápida quanto silenciosa. Quebrada aqui e ali por uma frase de circunstância para cortar o silêncio. Entramos na cidade pela ponte Vasco da Gama, e a cidade estava movimentada. Sábado à noite, claro. Mas pareceu-me que o movimento também era silencioso. Perdeu-se qualquer coisa. Nada, claro, que mude a normalidade do dia a dia. Muda-nos a disposição nos minutos a seguir e o sentido das conversas à segunda de manhã. Saí do carro numa despedida breve, que o ambiente não estava para mais. Da janela de casa, de novo o silêncio. A cidade movimentada de sábado à noite era silenciosa. Depois percebi, não era silencio, a cidade não estava silenciosa. A cidade calou-se. Porque aconteceu o que acontece com as paixões; tudo é fatal, tudo é total. O que eu vi ontem à noite, não foi um jogo. Eu não entendo nada do jogo. Só gosto de ver, mesmo não entendendo. Eu vi dois homens, um que festejava a sorte do mundo, festejava com gestos de quem nem sonhava que tal coisa lhe pudesse acontecer, saltava com movimentos de quem não sabia como é que tinha feito para chegar ali, festejava como quem deve festejar a sorte de um euromilhões, a sorte de quem não sabe como se faz, mas que fez. E vi outro homem, um homem a cair, e que ao cair, reconheceu que caiu com ele todo um labor de uma época. Caiu o que ficou para trás e caiu o que ainda falta vir. De joelhos o homem reconheceu o fim de tudo. A época acabou ali. Nada está fechado, ainda há contas a fazer, finais para ganhar, mas aquela estocada feriu de morte um sonho. Se a sorte não foi esgotada ontem à noite, talvez os deuses do futebol dêem um ar da sua graça, se reponha a normalidade ás coisas e a cidade volte a falar. Afinal, um homem às vezes cai, apenas para se erguer com mais força.
domingo, 17 de março de 2013
Confiar nos classicos
Trust the Classics from Close Up And Private on Vimeo.
CLOSE UP AND PRIVATE's etiquette for the modern classicist,
a loosely compiled list of scrupulous style cues for gentlemen
a loosely compiled list of scrupulous style cues for gentlemen
Slim cut suits with short legged trousers go a long way.

Buy a pair of wingtips and loafers.

The Beatles sir, listen to them – and do so regularly.

Owning at least 3 oxford shirts has never done a man any harm.

Be a gentleman towards women.

Own several ties – n.b. Four-in-hand knots only – mix things up with a bow tie.

Watch all movies by Andrei Tarkovsky. Re-watch them.

Always consider a well-fitting navy blazer with gold buttons.

Serge Gainsbourg looked smart in a trench coat and so do you.

Own a classic cashmere v-neck and a round-neck pull-over.

Kaki chino trousers are as essential as they are basic.
Choose your pair meticulously.

Cherish a good relationship with your parents.

Sometimes looking at a nice black and white picture of your grandfather
as a young man wearing his Sunday-suit can learn you more about classic style
than reading 20 fashion magazines.

A watch – you do own one do you? - should be flat, vintage, and have a leather band.

Be punctual.

Ray Ban sunglasses matter.

Stay current.

Trust the classics.
Buy a pair of wingtips and loafers.
The Beatles sir, listen to them – and do so regularly.
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Be a gentleman towards women.
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Be punctual.
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Trust the classics.
sábado, 16 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
Ouve-se Lena d'Água na america do sul?
Viajei para os estados unidos, o país era os estados unidos? A momentos, parecia uma favela íngreme, esburacada e pobre da américa do sul. Eu nunca estive na america do sul. Nem na do norte. Depois parecia uma colina empinada nas costas da graça, moraria ou penha de frança. Falava ao telefone com gente que não conhecia, frequentei casas de pessoas que nunca vi, estranhamente de confiança e próximas, que me abraçavam na despedida. Casas pequenas, rés-de-chão de porta aberta com um pequeno portão verde claro, quase branco, seco, ferrugento, numa rua encilhada. A rua com pó, de gravilha, uma rampa enclinada. Já tinha dito. Estava nos estados unidos, depois saí, despedi-me com um abraço, desci a rua, íngreme, a derrapar na gravilha e calhaus que rebolavam comigo rua a baixo. Já estava em lisboa. Não conheço (esta) lisboa. Chego á rua principal que nos meu sonho era para o lado dos anjos, mas chegado a avenida: não era a almirante reis. Perdi-me, estava nos estados unidos, mas parecia uma estrada da américa do sul. Ampla, sol a rodos, sem prédios do outro lado do passeio. Não há passeio. Eu nunca estive na américa do sul. Aparece uma moça com que eu já tinha falado, mas que não conheço de lado nenhum. O carro é pequeno, cinzento, a obrigar condutora e pendura a uma proximidade física desafiadora. Peço-lhe boleia, não sei onde é a minha casa, hotel, motel, sei lá, não me lembro. Ela leva-me, janelas abertas, sol a rodos, a avenida, que era larga, vai estreitando até chegar a uma mini rotunda sem saída, junto ao mar, uma baía de mar verde claro, como o seco ferrugento do portão;
– já não está sudoeste, o tempo virou
– ainda está
– já está nortada, não vez o mar a chegar em carneirinhos…
Desfazemos a rotunda ao som de uma música que não conheço da Lena d'Água.
Ouve-se Lena d'Água na america do sul? Gente atravessa-se á frente do carro com ar de veraneio, em direcção ao mar, para apanhar o barco que não vi, não estava lá barco nenhum, nem porto, só o mar a bater em carneirinhos e a música da Lena d'Água a tocar dentro do carro.
sábado, 13 de outubro de 2012
Pausa para café
Volto com gosto confesso às tardes de café em casa, são sinónimo de clausura, estudo e recensão. Este, espero, será o ultimo primeiro semestre desta aventura que começou e se propiciou, devido ao infortúnio de uma perda pela qual todos os gratos e amados deste mundo lembram, com eterna saudade, no escaninho da alma, até ao fim dos seus dias.
domingo, 2 de setembro de 2012
(…) Além do mais, a solidão de um ao lado do outro, ouvindo música ou lendo, era muito maior do que quando estávamos sozinhos. E mais que maior, incómoda. Não havia paz. Indo depois cada um para seu quarto, com alívio nem nos olhávamos. (…)
[Clarice Lispector, Contos de]
Quem?!
(…) O misantropo detesta a pieguice, a frase feita, a bondade usada na lapela, as criaturas que acordam bem-dispostas, as alegrias compulsivas, as festas exibicionistas, o conformismo burguês, o tédio da conjugalidade, o tribalismo. Daí as suas dificuldades com a vida familiar (o verdadeiro misantropo dificilmente se casa), com a vida pública, sobretudo a política, a feira das vaidades mundanas, com os consensos fabricados. Um misantropo é um pessimista, muitas vezes cínico, mas as suas reacções são com frequência fruto da impaciência, de uma intolerância intelectual e ética.(…)
[Pedro Mexia, O mundo dos vivos]
Velho e cheio de cãs e rugas também ele era, não de anos, mas de penas e de trabalho.
[Alexandre Herculano, A Dama pé-de-cabra]
insustentável
Depois de quatro anos passados em Genebra, Sabina vivia em Paris e nunca mais se recompunha da sua melancolia. Se lhe perguntassem o que lhe acontecera, não teria palavras para o dizer. Pode explicar-se o drama de uma vida através da metáfora do peso. Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. Mas o que acontecera ao certo a Sabina? Nada. Deixara um homem porque queria deixá-lo. Esse homem tinha vindo atrás dela? Tinha querido vingar-se? Não. O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser.
[Milan Kundera, A insustentável leveza do ser]
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
O gato preside a tudo pelos telhados pelos telhados do Cais do Sodré.
Tirando o Rodrigo, nenhum lisboeta diz Cais do Sodré, assim, com as letras todas, quase soletradas, como no fado. Em Lisboa, abreviado, e com pressa, diz-se, e bem, caixedré, ou, vá lá, caixodré.
Mas disto o gato não se ocupa. Odeio gatos. Acho-os lindos, até dois metros, de resto mijam, cagam, miam a altas horas irritantemente pelos quintais. E depois, aquela elegância snob, pé ante pé, ou pata ante pata, muita gente havia de aprender a andar com os gatos, ver como eles fazem e treinar em casa antes de sair pra rua. Mas disto o gato não se ocupa.
O gato que a tudo preside p'las janelas do caixedré, vi-o terça passada, depois de sair do Musicbox do concerto dos Destroyer. Não sei o que achou o gato, se se deu ao trabalho de ouvir o concerto, ou se mirava, indiferente, a movida caixedriana com os novos bafons de gente indie-qualquer-coisa – que se queixava da crise, do Relvas e do Socrates enquanto esperava na fila para entrar, e pagar, no bar da moda – e estrangeiros escaldados do sol, porta com porta com os velhos bares do putareu que ainda vai ocupando as esquinas da rua Nova do Carvalho.
Sei que ele lá estava, eu já no carro parado no sinal vermelho, ele naquele passo dolente, no beiral da água furtada de telhado preto, do prédio de um azul novo, marinho profundo, ao lado do British Bar. Quem leu Cardoso Pires percebe porque naquela noite já só um bêbado, equilibrista de si mesmo, falava de braços abertos para as cadeiras arrumadas em cima das mesas e chão passado a rodo.
O gato que a tudo preside, segue indiferente a isto, nada o distrai das rondas nocturnas pelos telhados do caixodré. Nada, excepto, talvez, o bater da janela esconsa com bicho da madeira, dum ultimo andar de uma velha antiga – todos os velhos são antigos, mas a partir de certa idade, de tão velhos, os anos deixam de contar, ficam ainda mais antigos e o pleonasmo deixa de ser, aparentemente, redundante – donde emana o cheiro a mijo, também ele já antigo, de quem já não tem quem ou porquê se lavar.
Os Destroyer tocaram dia 17 no Musicbox, o ultimo disco, Kapput, o melhor e mais singular da banda, não é reproduzível em palco.
O Futuro não passa aqui.
A pessoa predispõe-se a perder duas horas, no mínimo para ser simpático, de filas dominicais a atravessar a ponte, com o intuito de aproveitar um dos melhores dias de praia deste querido mês de agosto, com o restante povaréu cá do burgo, para ficar em chill out no meio de Lisboa, numa sala de cinema com ar condicionado e leva um barrete monumental (curiosamente a sala de cinema escolhida) com uma das piores estucha que vi na vida. Ou deixem as drogas ou mudem de fornecedor. Por muito que se tente estar desperto para díspares abordagens ao cinema, é impossível, onde a critica vê poética e uma fábula moderna, ver qualquer coisa mais do que noventa minutos de pura ataraxia. Valeram os olhos azuis da protagonista e também realizadora, e em paralelo a descoberta do seu site.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Kaputt. O que o gato não fez.
O gato preside a tudo pelos telhados pelos telhados do Cais do Sodré.
Tirando o Rodrigo, nenhum lisboeta diz Cais do Sodré, assim, com as letras todas, quase soletradas, como no fado. Em Lisboa, abreviado, e com pressa, diz-se, e bem, caixedré, ou, vá lá, caixodré.
Mas disto o gato não se ocupa. Odeio gatos. Acho-os lindos, até dois metros, de resto mijam, cagam, miam a altas horas irritantemente pelos quintais. E depois, aquela elegância snob, pé ante pé, ou pata ante pata, muita gente havia de aprender a andar com os gatos, ver como eles fazem e treinar em casa antes de sair pra rua. Mas disto o gato não se ocupa
O gato que a tudo preside p'las janelas do caixedré, vi-o terça passada, depois de sair do Musicbox do concerto dos Destroyer. Não sei o que achou o gato, se se deu ao trabalho de ouvir o concerto, ou se mirava, indiferente, a movida caixedriana com os novos bafons de gente indie-qualquer-coisa – que se queixava da crise, do Relvas e do Socrates enquanto esperava na fila para entrar, e pagar, no bar da moda – e estrangeiros escaldados do sol, porta com porta com os velhos bares do putareu que ainda vai ocupando as esquinas da rua Nova do Carvalho.
Sei que ele lá estava, eu já no carro parado no sinal vermelho, ele naquele passo dolente, no beiral da água furtada de telhado novo, do prédio de um azul novo, marinho profundo, ao lado do British Bar. Quem leu Cardoso Pires percebe porque naquela noite já só um bêbado, equilibrista de si mesmo, falava de braços abertos para as cadeiras arrumadas em cima das mesas e chão passado a rodo.
O gato que a tudo preside, segue indiferente a isto, nada o distrai das rondas nocturnas pelos telhados do caixodré. Nada, excepto, talvez, o bater da janela esconsa carcomida do bicho da madeira, dum ultimo andar de uma velha antiga – todos os velhos são antigos, mas a partir de certa idade, de tão velhos, os anos deixam de contar, ficam ainda mais antigos e o pleonasmo deixa de ser, aparentemente, redundante – donde emana o cheiro a mijo, também ele já antigo, de quem já não tem quem ou porquê se lavar.
Os Destroyer tocaram dia 17 no Musicbox, o ultimo disco, Kaputt, o melhor e mais singular da banda, não é reproduzível em palco.
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